Escuto um barulho gostoso, percebo que lá fora chove
Meu cérebro briga comigo, querendo no ninho ficar
Finalmente, contrariada, a cama passo a abandonar.
No geral, eu gosto da chuva.
Gosto porque quando chove na terra
E a terra fica molhada
Posso relembrar um cheiro de infância
E esse cheiro me traz paz.
Gosto dela porque ela traz vida às plantas
E tudo fica mais verde depois que ela se vai.
Gosto quando ela chega nas horas em que posso dela desfrutar
Quando chega de madrugada, de mansinho, e eu não preciso logo levantar
Quando no meio da tarde ela pinga, de leve, e eu me apresso para buscar:
Um cobertor,
Um bom livro,
E uma deliciosa xícara de chá.
Mas, ao mesmo tempo, não gosto da chuva.
Não gosto do ônibus lotado,
De segurar o guarda-chuva molhado,
No frio, de ficar com os pés congelados.
Da roupa que não seca,
Do cabelo que não se ajeita,
Do vidro do carro que não desembaça.
Ah, a chuva...
A dualidade de sentimentos permanece
Enquanto eu, aqui sentada permaneço.
Olhando a chuva lá fora
Desejando meus cobertores,
Desejando ir embora.


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